Nomenclatura do barco, cabos, nós e distribuição de peso
Atualizado em . Fatos conferidos no texto das normas em 25 de outubro de 2026.
Direções e partes do casco
| Termo | Significa |
|---|---|
| Proa / vante | a frente |
| Popa / ré | a traseira |
| Boreste | o lado direito, olhando para a proa |
| Bombordo | o lado esquerdo, olhando para a proa |
| Través | a direção a 90° do eixo da embarcação |
| Bochechas | as partes curvas do costado junto à proa |
| Alhetas | as partes curvas do costado junto à popa |
| Quilha | a peça que corre da proa à popa, no fundo do casco |
| Borda livre | a distância vertical da água até o convés principal |
Través e alheta não são bordos: são direções e regiões do casco. Bordo só existe dois, boreste e bombordo. E a prova escreve boreste, nunca estibordo.
As medidas da embarcação são comprimento total, boca, pontal e contorno. Contorno parece invenção de apostila, mas é campo do formulário da própria Marinha (NORMAM-211, Anexo 2-D). Boca é a maior largura, de borda a borda (item 3.9.1).
Cabos e amarração ao cais
| Termo | O que é |
|---|---|
| Espia | nome geral do cabo usado para amarrar ao cais |
| Lançantes | espias de proa e de popa, que saem para vante e para ré |
| Espringues | espias em diagonal, que seguram o movimento para vante e para ré |
| Traveses | espias perpendiculares ao cais, que impedem a embarcação de se afastar |
| Retinida | cabo fino com um peso na ponta, usado para lançar uma espia; é também o cabo da boia salva-vidas |
| Cunho | peça do convés onde se dão voltas nos cabos |
| Cabeço | peça fixa no cais onde se prendem as espias |
| Buzina | peça que guia os cabos de amarração na borda |
| Defensa | peça macia pendurada na borda contra pancadas no cais |
As pegadinhas: a retinida não é cabo principal de amarração, é mensageira. Amarra é da âncora; o que amarra ao cais é espia. E mastro não é peça de amarração nem de governo.
Em lugar com grande amplitude de maré, as espias não ficam sempre tesas nem sempre folgadas: vão sendo ajustadas conforme a maré sobe e desce.
Os nós que caem na prova
- Nó direito: une dois cabos de bitolas iguais.
- Lais de guia: faz uma alça que não corre, firme e fácil de desfazer. Serve para prender a espia a um cabeço.
Os simulados que analisamos cobram nó pela função, nunca pelo desenho. Saber para que serve cada um basta.
Distribuição de peso e estabilidade
É o assunto mais subestimado de marinharia: uma única pergunta sobre peso apareceu em 9 dos 23 simulados que analisamos. A regra de ouro é nunca afundar a marca de limite de flutuação. Para isso:
- comece a carregar junto à quilha, perto do meio da embarcação;
- ponha o peso embaixo, não nas partes altas, e não concentre na proa;
- divida o peso entre os dois bordos;
- acomode os passageiros sentados, perto do centro de gravidade (NORMAM-211, Anexo 4-B, item 9);
- nunca exceda a lotação da embarcação (NORMAM-211, item 4.3.6).
Embarcação com o peso bem distribuído está trimada. E empuxo é a força de baixo para cima que a água faz, igual ao peso do volume de água deslocado: é o princípio de Arquimedes.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre boreste e bombordo?
Olhando para a proa, a frente da embarcação, boreste é o lado direito e bombordo é o esquerdo.
Quais são os cabos principais de amarração?
Lançantes, espringues e traveses. A retinida não é cabo principal: é o cabo fino usado para lançar a espia.
Qual nó usar para unir dois cabos?
O nó direito, quando os dois cabos têm a mesma bitola. Para fazer uma alça que não corre, usa-se o lais de guia.
O que é a boca de uma embarcação?
A sua maior largura, medida de borda a borda (NORMAM-211, item 3.9.1).
Fontes
- Navegar é Fácil (bibliografia oficial do exame)
- NORMAM-211/DPC, itens 3.9.1 e 4.3.6, Anexo 2-D e Anexo 4-B
A NORMAM-211 e a NORMAM-17 ficam no site da Marinha do Brasil. As leis e decretos têm o texto oficial linkado acima.